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Símbolo de liberdade, Ney Matogrosso ganha sucessivos tributos pelo Brasil

Ney Matogrosso tem sido celebrado em shows geralmente criados por artistas associados ao universo LGBTQIA+ David LaChapelle / Divulgação ♫ ANÁLISE ♬ No p...

Símbolo de liberdade, Ney Matogrosso ganha sucessivos tributos pelo Brasil
Símbolo de liberdade, Ney Matogrosso ganha sucessivos tributos pelo Brasil (Foto: Reprodução)

Ney Matogrosso tem sido celebrado em shows geralmente criados por artistas associados ao universo LGBTQIA+ David LaChapelle / Divulgação ♫ ANÁLISE ♬ No próximo domingo, 27 de setembro, às 18h, seis cantoras da geração dos anos 2010 – Juliana Linhares, Linn da Quebrada, MC Tha, Melly, Tássia Reis e Xênia França – estarão juntas pela primeira vez no palco em show em tributo a Ney Matogrosso. Inédito, o espetáculo “Eu prefiro ser – Uma homenagem a Ney Matogrosso” acontece nos Arcos da Lapa, cartão-postal do Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), e fecha a Semana de Arte do Rio dentro da programação do festival promovido pelo Solar em homenagem ao cantor com exposição em cartaz desde junho. Pela reunião das seis cantoras, o show já seria uma notícia. Contudo, o tributo do Solar ao artista está longe de ser um ato isolado, se juntando a uma série de homenagens que vem sendo prestadas a Ney Matogrosso ao longo desde ano de 2026 no Brasil e eventualmente até em Portugal. Em fevereiro, duas semanas antes de o cantor e ator Fitti estrear em São Paulo (SP) o show em que canta o repertório de Ney Matogrosso com estética teatral, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense sobressaiu no Carnaval do Rio de Janeiro ao desfilar com o enredo “Camaleônico” em reverência ao artista. Em junho, o cantor César Soares abriu a temporada de verão da Casa da Música na cidade do Porto, em Portugal, com show em que celebrou Ney. Em julho, o cantor Gustavus apresentou o show “Eu bandoleiro – Um tributo a Ney Matogrosso” no teatro do Sesc de Passo Fundo (RS). Em agosto, mês em que Ney completou 85 anos, a ginasta Flávia Soares apresentou a série solo da esportista para a temporada 2026 com coreografia inspirada na música “Homem com H” (Antônio Barros, 1974), um dos maiores sucessos de Ney desde que a composição foi regravada pelo cantor em 1981. Já neste mês de setembro, o ator e cantor Fabiano Medeiros reapresentou em São José dos Campos (SP) o show “Pura alquimia”, com o qual vem percorrendo algumas cidades do Brasil desde 2025, com intenção de celebrar a estética libertária de Ney em clima psicodélico. Tantos tributos sucessivos não são mera coincidência. Aos 85 anos, Ney Matogrosso já se torna uma lenda viva da MPB, por mais que o cantor recuse essa aura e haja com naturalidade, e sem qualquer traço de estrelismo, na vida e nos palcos. Ney sempre foi uma voz e um símbolo de liberdade, de ousadia, de transgressão. Não por acaso, os tributos ao cantor muitas vezes partem de artistas ligados ao universo LGBTQIA+. À medida em que Ney foi envelhecendo sem se tornar um cantor senhoril em cena ou fora de cena, essa chama libertária se alastra por um país ainda (hipocritamente) conservador sob prisma moral. Ney Matogrosso tem a voz de uma pessoa vitoriosa que venceu na vida dizendo não, seguindo o próprio caminho e o próprio instinto, jogando sementes nos campos da mente. Como o personagem-título da música “Bandolero” (Luhli e Lucina, 1978), gravada pelo cantor no álbum “Feitiço” (1978), Ney Matogrosso é encanto, magia, sonho, fantasia quando sobe no palco. Ney é um artista senhor da cena. Tanto que Ney sempre se agigantou mais nos palcos do que nos discos, ainda que a obra fonográfica do cantor seja luminosa, quase irretocável, tendo sido, também ela, a discografia, um símbolo da liberdade que norteia o artista em 53 anos de carreira. Por isso, Ney Matogrosso é cada vez mais alvo de tributos. Ney Matogrosso é o cantor que muitos preferiam ser...